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Meio Ambiente

Plástico “vivo” usa bactérias para se autodestruir sob comando

Publicada em 22/05/26 às 11:11h - 1217 visualizações

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Plástico “vivo” usa bactérias para se autodestruir sob comando
 (Foto: fmcapitanbado.com)

s que ativa sua própria decomposição em poucos dias, sem gerar microplásticos

Pesquisadores da Universidade de Hong Kong desenvolveram um plástico “vivo” capaz de se decompor sob comando, usando bactérias incorporadas diretamente no material. A tecnologia utiliza microrganismos geneticamente modificados que permanecem adormecidos até serem ativados por uma solução nutritiva aquecida. Depois disso, o plástico começa a ser destruído de dentro para fora, sem gerar microplásticos residuais.

O estudo tenta enfrentar um dos maiores problemas ambientais ligados aos plásticos modernos. Muitos desses materiais são utilizados apenas uma vez, mas podem permanecer no ambiente por centenas de anos. Segundo os pesquisadores, a proposta é incorporar o processo de degradação ao próprio ciclo de vida do material, tornando o descarte mais controlado e sustentável, segundo informações do portal New Atlas.

Para quem tem pressa:

  • O plástico contém bactérias incorporadas diretamente em sua estrutura;
  • Microrganismos permanecem dormentes até ativação por calor;
  • Duas enzimas trabalham juntas para acelerar a degradação;
  • O material se decompõe sem gerar microplásticos detectáveis;
  • Os testes utilizaram plástico biodegradável do tipo PCL;
  • Pesquisadores querem adaptar a técnica para outros plásticos.

Como funciona o plástico com bactérias

A equipe utilizou a bactéria Bacillus subtilis para criar o material. Os cientistas modificaram geneticamente os esporos do microrganismo para que produzissem enzimas capazes de degradar polímeros plásticos. Esses esporos foram inseridos diretamente na estrutura do plástico, transformando o material em um sistema biologicamente ativo.

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Duas enzimas atuam em conjunto para quebrar rapidamente o polímero PCL, acelerando a decomposição interna do material. (ChatGPT / Olhar Digital)

O plástico utilizado nos testes foi o policaprolactona, conhecido como PCL, um material biodegradável. Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que conseguiram acelerar significativamente a decomposição ao combinar duas enzimas diferentes trabalhando em conjunto. Uma delas quebra rapidamente as longas cadeias de polímeros, enquanto a outra reduz os fragmentos restantes em moléculas muito menores.

Quando o material entra em contato com uma solução nutritiva aquecida a aproximadamente 50 °C, os esporos bacterianos são ativados. As bactérias começam então a liberar enzimas que degradam o plástico internamente. Segundo os testes realizados, o processo foi capaz de destruir quase completamente a estrutura do material em apenas seis dias.

O que os testes mostraram

Para demonstrar o funcionamento da tecnologia, os pesquisadores criaram um eletrodo vestível utilizando o plástico “vivo”. Após a ativação das bactérias, o dispositivo se degradou completamente em cerca de duas semanas. Os cientistas afirmam que os testes não identificaram formação de microplásticos durante o processo.

Nos testes, dispositivos feitos com o plástico vivo foram destruídos em até duas semanas sem gerar microplásticos detectáveis. (Imagem: ACS Applied Polymer)
Nos testes, dispositivos feitos com o plástico vivo foram destruídos em até duas semanas sem gerar microplásticos detectáveis. (Imagem: ACS Applied Polymer) – Nos testes, dispositivos feitos com o plástico vivo foram destruídos em até duas semanas sem gerar microplásticos detectáveis. (Imagem: ACS Applied Polymer)

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Os pesquisadores destacam que o material apresenta propriedades mecânicas semelhantes às de filmes comuns de PCL. Isso significa que o plástico continua funcional durante o uso normal, mas ganha a capacidade adicional de iniciar sua própria decomposição quando ativado nas condições adequadas.

Próximos passos da tecnologia

Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda possui limitações importantes. O sistema funciona atualmente apenas com PCL, um plástico que já apresenta características biodegradáveis. Além disso, a decomposição depende da presença da solução nutritiva aquecida, o que impede que o material simplesmente desapareça sozinho em qualquer ambiente.

Agora, a equipe busca desenvolver um sistema ativado por água, já que grande parte da poluição plástica acaba em rios e oceanos. Os pesquisadores também pretendem adaptar o método para outros tipos de plástico amplamente usados em embalagens e produtos descartáveis.

Matheus Labourdette

Matheus Labourdette

Matheus Labourdette é redator no Olhar Digital.




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